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Posts Tagged ‘Morte’

Dizem as estatísticas recentes que suicídio é a segunda principal causa dos óbitos entre jovens no mundo, perdendo apenas para acidentes de trânsito. No Brasil é a terceira causa de mortandade entre jovens. Difícil de acreditar que esses números são reais. Parece-me uma grande tragédia tanta gente desistir da vida, geralmente na fase em que ela está só começando.
Eu mesmo já pensei algumas vezes nessa possibilidade. Pode parecer uma disfuncional e depressiva reflexão, mas para mim foi uma das melhores coisas que já fiz. ‘Morrer é possível’ foi a frase que emprestei de um filme e que ficou ecoando em minha mente, cavando espaço em minhas meditações diárias.
Papo mórbido que assusta muita gente. Mas uma coisa é certa…quem evita o sofrimento, a dor e a morte a todo custo acaba por evitar a vida, a alegria e a liberdade de escolhas tudo no mesmo pacote. ‘Não se pode ter paz negando a vida’…outra frase que peguei emprestada do filme ‘As horas’ do diretor Stephen Daldry e que me serve de mantra quando se faz necessário tomar decisões e rumos.
Suicídio intriga e assusta.  Depressão, mal do século, é apontada como um dos grandes vilões desse crime sem rosto. A comoção é geral e amigos e familiares ficam atônitos diante dessa decisão que normalmente é tomada em silêncio, na angústia de momentos solitários. Na falta de sentido para continuar a caminhada.
Pois eu não tenho nenhuma vocação para identificar suicidas em potenciais. Quisera eu ter, pelo menos poderia tentar evitar esses gestos últimos de desespero. Mas me foi dado um outro dom, parecido, o de identificar mortos-vivos. Esses se revelam para mim o tempo todo.
No filme ‘O sexto sentido’ do diretor M. Night Shyamalan, o personagem Cole, um garoto de 11 anos, era assombrado por ter um dom especial, a capacidade de ver e interagir com os mortos. A frase ‘I see dead people’ ficou famosa e até virou motivo de chacota nas redes sociais.
A pergunta que faço para o pobre garoto perseguido por defuntos é…e dai Cole que você vê gente morta? Eu vejo gente viva que já morreu o tempo todo e nem por isso fico chorando debaixo das cobertas.
Pois apesar dessas estatísticas alarmantes sobre suicídio defendo veementemente a idéia de que mais trágico e lamentável que o suicídio de fato é o suicídio da alma cometido por milhares de pessoas que se permitiram morrer em algum momento de suas vidas, mas esqueceram de se enterrar. E esses mortos-vivos estão em toda parte. São porteiros de prédio, tias viúvas, chefes de repartição pública ou mesmo alunos do ensino médio.
Mas como saber que alguém que anda e respira na verdade já morreu? Para mim é fácil…já lhe disse que tenho esse dom. Basta passar um tempo – alguns minutos são suficientes – e ficará clara a certidão de óbito previamente assimilada. Mortos vivos costumam falar do passado, as vezes décadas atrás, como se ainda fosse o presente. Citam pessoas e lugares que viveram em idos tempos como se isso tivesse acontecido ontem. Amarguras e conquistas de anos atrás são ainda os motivos de orgulho ou frustração que os fazem rastejar pelos dias afora. O momento presente não os comove mais. Agarram-se como podem ao que viveram um dia.
Mortos vivos repetem a frase ‘não tenho mais nada que esperar da vida’ e suas variações como um lema que os protege de ainda enfrentar as horas. Escapam da angústia de existir enterrando-se com a terra de suas desistências e medos.
Mortos vivos fogem de romances e relacionamentos como o diabo foge da cruz. Não suportam o pavor de serem vulneráveis, de ficarem atônitos diante do abismo assustador que é se entregar a uma história de amor. Preferem nunca experimentarem a beleza de se doarem a outro ser com medo da rejeição e do abandono.
Mortos vivos não sonham mais. Não olham para o futuro com lágrimas nos olhos. Não crêem mais que a esperança pode produzir milagres em suas almas já em estado de putrefação. Acham que os sonhadores são idiotas desajustados que precisam acordar (lê-se: virar zumbis como eles). Que aqueles que protestam contra as injustiças deveriam enxergar a realidade e voltar aos seus pijamas estampados de conformismo e negligência. Odeiam aqueles que decidem escrever suas próprias histórias acusando-os de serem egoístas patológicos que perturbam a ordem natural das coisas…que é morrer precocemente com medo de viver a vida.
Vejo-os o tempo todo em toda parte. São tantos que se fosse feita um pesquisa constatariam que essa causa mortis é a mais cruel e abrangente do que todas as demais juntas. Muito mais perigosa que dengue hemorrágica brasileira ou terremoto japonês.
Pois falo do perigo que é se tornar um morto vivo com propriedade de causa. Pois eu mesmo vivi anos arrastando meu cadáver nas costas para em troca receber conforto, aceitação e segurança de pertencer ao mundo dos mortos vivos. Ainda vivo sob essa ameaça do jeitinho que é retratado no seriado norte-americano ‘The Walking Dead’. Todas as vezes que a vida se levanta assustadora, com seus dentes agudos e suas garras sedentas por mais uma vítima, me encolho e penso se não seria melhor fugir dela ao invés de ficar enfrentando-a assim, de peito aberto e olhar inocente.
Mas a idéia de que serei mais um morto vivo a engrossar as fileiras de cadáveres ambulantes me perturba por demais. Me parece mais trágico viver assim que o próprio suicídio, esse pelo menos deixa as coisas mais definidas. Preto no branco.
Vou seguindo na ânsia de existir de fato, não apenas na teoria. Luto pela vida, não porque respiro mas por saber que viver de verdade vai além de ter seu corpo ainda quente e a capacidade de se mover pela casa. Viver exige de nós entrar em uma luta sangrenta, dia após dia, de quem encontrou sentido na caminhada e não irá arredar o pé da trilha até o momento que o corpo, esse objeto fadado ao fracasso, não aguentar mais seguir o espírito, esse sim precisa estar sempre vivo e saudável para ainda enfrentar a eternidade. A coisa vai longe gente.
Pois me parece que viver é privilégio daqueles que erguem-se a despeito do seu medo e enfrentam a vida com o desejo insano de conquistá-la para si. São aqueles que aceitam a dor e a alegria como faces da mesma moeda e vivem-nas intensamente pois descobriram o segredo que fazem seu coração pulsar de verdade: ‘não se pode ter paz negando a vida!’.
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Para Débora Pezzutti, que compartilhou sua dor para me consolar. Conto uma história para consolá-la também.

Há duas semanas atrás nossa classmate indiana perdeu seu pai. Rajni, cabelos negros, sotaque característico e roupas coloridas, como a maioria das indianas. Assim como eu, ela chegou há dois meses atrás na Nova Zelândia deixando família e amigos para trás, em busca de formação, emoção ou seja lá que viemos buscar aqui.
Ela apareceu com lágrimas nos olhos e deu a notícia no corredor da escola para mim e para meu outro colega vindo de Siri-Lanka. Sem saber o que dizer, ainda mais em inglês, só consegui expressar o tão usual ‘I am sorry!’.
Ela bravamente assistiu a aula inteira, e eu de canto de olho, observava seu sofrimento. Entre momentos de lágrimas discretas e rosto sereno, aquilo me parecia um espectáculo triste, um reality show especializado em mostrar o comportamento das pessoas diante das perdas. Eu assisti seu sofrimento, mas este não me afetou.
As semanas se passaram e ela, sempre com aquela expressão de resignação, luto, tristeza e desconforto diante da realidade que nos assalta. Eu me mantive distante. Esse desconforto era dela e eu não tinha coragem de me aproximar. Quando as pessoas sofrem diante de inimigos invencíveis, ficamos paralisados. Não temos palavras que sirvam para consolar nem antídotos mágicos para aliviar a dor. Por isso decidi ficar longe. De vez em quando lhe dirigia um olhar amigável e não passou disso. Me senti débil diante do abismo que alguns enfrentam. Sentimento de impotência, quem os quer por perto?
Foi então que recebi a noticia. Quando acordo tenho o hábito de checar meus emails antes de levantar da cama. Estranhamente meu inbox no facebook estava lotado de mensagens. Tremi. Não era meu aniversário, então só podia ser noticia ruim, que chega logo mesmo do outro lado do mundo. E era. Meu pai havia falecido há poucas horas atrás.
Levantei e sem assimilar totalmente a notícia – demorarei alguns anos para tal – decidi seguir minha rotina, a única que poderia me ajudar a continuar caminhando. Fui fazer meu house Cleaning job e depois segui para a escola. Não consegui chorar, só me sentia sufocado do mesmo jeito que a gente se sente quando enfiam algo goela abaixo contra nossa vontade.
No intervalo da aula vi a Rajni sozinha, com o mesmo ar tristonho e sereno que manteve durante as duas semanas. Sentei em frente a ela, sem medo ou sem hesitação e perguntei como ela estava. Ela imediatamente deixou lágrimas escorrerem e me disse: ‘eu não estou nada bem. Eu sinto muita falta do meu pai.’
Sem pensar duas vezes lhe disse: ‘eu perdi meu pai hoje. Eu entendo o que você está sentindo. Eu sinto muito pela sua perda, Rajni.’
E choramos juntos. Em silêncio.
Eu não precisava mais pensar no que dizer. Não precisava planejar como iria consolá-la sem me sentir um idiota. Agora dizer o quanto eu sentia muito pela sua perda era algo que vinha direto do meu coração, totalmente devastado pela perda do meu pai.
Naquele momento, independente de nossas diferenças culturais e histórias pessoais, experimentamos comunhão. Isso só acontece quando dois seres humanos, feridos pelos golpes cruéis da vida, podem dizer com total sinceridade um ao outro: eu sei o que você está sentindo. Eu também sinto a mesma dor.
Mas não precisamos perder alguém da nossa família para entender isso. Se você é do tipo ‘ser humano’ então você está totalmente apto para compreender o que é sofrimento, perda, alegria, desespero, dúvida, solidão…
Diante do abismo que outro ser humano enfrenta, não é preciso ficar preocupado para encontrar palavras, fazer discursos ou trazer soluções. Simplesmente relembre aquilo que nos conecta e nos coloca na mesma situação e com o coração dolorido segure a mão de quem sofre na esperança de que esse frágil gesto possa ao menos ajudar o outro a continuar caminhando. Agora pelo menos, sabendo que não está mais sozinho.

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Por vezes sou atormentado por sete demônios,

mas não dou a eles nomes nem créditos.

Esqueço seus rostos que aparecem dentre as trevas do homem que sou.

Sigo a trilha como se suas vozes não fossem reais, nem possuíssem garras cortantes e olhos sedentos.

Não tenho por eles apreço nem temor.

Sei, no íntimo das coisas, que sou pior que eles…meu maior e mais perigoso inimigo.

Lutar contra minha ânsia de existir, meu apego à essa felicidade em fuga é batalha quase perdida.

Sou resistente como pedra e desejoso tal fogo consumidor…

Como navalha na carne vou fatiando meu corpo entre o não e o sim.

Entre um e outro sonho, desfaço-me pelo caminho até não encontrar fôlego.

Eis que renovado por mais um amanhecer terreno, renasço …demoro a definhar-me.

Sobrevivo a cativeiros e grades.

Por isso vencer-me é mais árduo e improvável que carregar às costas monstros demoníacos…

Temo essa sobrevivência prolongada…refúgio que as coisas cintilantes desse mundo me oferecem.

Assim estendo por séculos a punhalada fatal que daria fim a essa tormenta.

Se tão somente, por sofrimento terrível ou dor irreparável, eu tirasse forças para arrastar ladeira acima esse corpo frio e dele me livrar, estaria livre…de mim, dos demônios e dessa eterna gana de perseguir becos sem saídas.

Para que, enfim…meus olhos cansados pudessem convictos,
testemunhar o fim dos dias,
epílogo necessário para suscitar a frágil esperança de um recomeço qualquer.

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Quem sou eu?
_ perguntam-me constantemente _
Que no confinamento da cela
Sereno, alegre e firmemente,
Anda feito um fidalgo no palácio?

Quem sou eu?
_ perguntam-me constantemente _
Que aos carcereiros costuma,
Livre, amistosa e francamente,
Falar como quem comanda?

Quem sou eu?
_ perguntam-me constantemente _
Cujos dias de infortúnio
Impassível, risonho e orgulhosamente,
Suporta, como se acostumado a vencer?

O que dizem de mim eu realmente sou?
Ou sou somente o que eu mesmo sei de mim?
Intranquilo e ansioso e doente, um passarinho enjaulado
A lutar por fôlego, com mãos comprimindo a garganta,
A anelar por cores, flores, o cantar das aves,
A ter sede por palavras de benignidade, de proximidade humana,
A se agitar à espera de acontecimentos grandiosos,
A tremer, em desalento, pelos amigos infindamente distantes.
Cansado e vazio no orar, no pensar, no agir,
Desmaio _ disposto a me despedir de tudo?

Quem sou eu? Este ou aquele?
Serei hoje um, outro amanhã?
Ambos serei? Simultaneamente?
Um hipócrita perante os outros,
E diante de mim mesmo, um débil desolado?
Ou há algo em mim que se assemelha ao exército derrotado
A fugir na desordem da vitória já alcançada?

Quem sou eu?
Zombam de mim, tais solitárias indagações.
Seja quem eu seja, Tu sabes,
Ó, Deus:
Eu sou teu!

Poesia “Wer Bin Ich?” de Dietrich Bonhoeffer, escrita durante seu tempo na prisão de Tegel, perseguido pelos nazistas por ser fiel a Deus, sua consciência e não negar sua fé.

Tão pouco o conheço, revivendo fragmentos de sua vida e aprendendo com alguns de seus textos e reflexões por meio de uma única biografia.
Mas o pouco que contemplei dos seus dias, seus sonhos e sua obra, sinto-me devedor com uma gratidão sem medida.
Sou grato por nos aproximar do Cristo, ao viver seus ensinamentos de forma resoluta e sem concessões. Posso ver tanto do Santo crucificado em você!
Obrigado por manter-se firme diante da opressão, do mal e da morte. E mesmo temendo, se considerando fraco ou vacilante, seu exemplo permanece dando alegria e esperança para muitos. Você construiu uma fortaleza inabalável com sua fé. As tropas nazistas, com seu poder bélico e maldade insaciável, não resistiram. Mas sua obra e gestos poéticos, singelos e frágeis, perduram até hoje.
Sofri com o desfecho dos seus dias. Sei que não deveria, pois suas últimas palavras apontam para outra direção…
“Este é o fim […]. Para mim, o início da vida.”
Obrigado, querido Dietrich. Já não posso viver da mesma forma ao conhecer o caminho tão sólido e belo que você nos deixou como legado.

Dietrich Bonhoeffer

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“Digo-lhes verdadeiramente que, se o grão de trigo não cair na terra e não morrer, continuará ele só. Mas se morrer, dará muito fruto.” Jesus no evangelho de João 12:24

Luta-se pela vida. Não apenas pela sobrevivência, mas para aproveitá-la em todos os seus desdobramentos e benefícios. Buscamos a overdose que sacie nossa vontade de viver.
Há o anseio pelo conforto do corpo e da alma.
Um desejo quase insano por prazer e aceitação.
A busca do poder e controle. Do nosso nome gravado e nossas palavras e gestos seguidas de aplausos. Precisamos da prova cabal de que nossa imagem está perpetuada nos cenários que nos cercam.
E o descanso, a brisa e o litoral para os dias distraídos. Pausas para tomar fôlego e recomeçar a sina de construir os castelos que nos satisfarão.
Não há tempo a perder.
Por coisas assim evoluem a ciência, as ferramentas se aprimoram e busca-se conhecimento.
Nessa gana por mais vida, homens constroem seus reinos, a custo de destruição alheia. Pelo alto preço do próprio sangue. Pais, filhos e amigos.
Essa busca injeta em nós asco e temor pela morte. Fazemos silencio sobre ela com medo que a simples menção nos traga seu abraço gélido. Uma inimiga a ser vencida. Uma praga antiga que precisa ser exterminada.
Assim foi no começo, assim continuará sendo…
Mas, contradizendo todas as racionalidades e ideais humanistas, também há os que invertem a ordem estabelecida e caminham em direção oposta. Ao invés da luta insana pelo desfrutar dos dias, morrem e mortificam-se sabe-se lá por ansiarem que tipo de valia?
A mulher que desfaz-se de seu corpo jovem e seus sonhos, permitindo que outro ser cresça em suas entranhas, deformando-a e alimentando-se em seu ventre. Morre-se aos poucos quando convicta de todas as lidas, decide ser mãe e para o resto dos seus dias não terá nunca mais um pensamento que exclua o interesse de sua cria.
Morre-se também aquele, que fisgado por qualquer injustiça é tomado por uma ira tão violenta, que entrega sua energia e seu tempo para gastar-se naquilo que não pode vencer. Sua vida é pouco para eliminar as mazelas desde mundo, mas não tem como segura-la pra si frente a tais incômodos e desalentos.
Vai deixando-se também os que, cansados de si mesmos e dessa angustia pela felicidade, arriscam-se encontrar direção nas frias cavernas do esquecimento e nas trilhas escuras da renúncia. Vão desfazendo-se das coisas que possuem e de si mesmos, enquanto caminham resolutos e solitários por essa estrada sem holofotes nem amenidades.
Mas morrer assim é mais doloroso e trágico que acidentes aéreos, infartos fulminantes e doenças incuráveis. Um morrer-se contínuo, sem marcos nem datas para validá-lo. Um estado permanente de despedida e dor. Morre-se lutando até o último suspiro por vontade própria. Anti-natural e subversivo.
A cada escolha, uma batalha a ser travada. A cada dia de mortificação, um amigo que nos deixa, uma cidade que nos declara guerra. Em cada pedaço de vida que se insinua, agarra-se desesperadamente as bordas da mortalha como salvação. Sobrevive-se negando a vida. Vive-se o inverso. Resiste-se com a tola esperança de que descartar a vida é melhor do que desejá-la.
Desde que a virgem concebeu uma criança, não para que vivesse nesse mundo, mas para morrer por ele, eis invertida para sempre a ordem das coisas. Nasceu para a morte, seu destino.
Assim feito, quem, com desejo ardente e determinação, entregar-se para a vida estará decretando seu óbito permanente. Mas aquele que, corajosamente e a despeito de todos as evidências, largar seu próprio corpo á beira do caminho, inerte e sem desejos que o movam, terá no fim dos dias a esperança de encontrar vida… plena, abundante e precisa. Alongará seus dias como semente jogada à beira do caminho, e que ao morrer, produz frondosos galhos e flores e frutos e sombra pros viajantes cansados.
Por isso, muitos vivem evitando a morte e nessa ânsia insana pela vida terminam por perdê-la.
E outros poucos entregam-se a morte na esperança de que recebam algo superior á vida que se apresenta todos os dias diante de si.
Escolhe pois teu caminho…
Encolhe-se diante das pálidas platéias e vai se diluindo, tornando-se o pó insignificante de onde surgiu seu ser. Só assim poderá receber um corpo indestrutível e belo e uma alegria que será tua, e nem a morte, nem a vida poderá arrancá-la de ti.

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