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Archive for the ‘Poesia’ Category

Aussie scars

When I did leave Margot I thought possible take back my body, intact
I brought arms, lips, chin and foot. Everything was checked,
all perfect, all the same to keep in my baggage
Legs and belly
Fingers, ears and neck
Smile to pretend normal, untouched
Clean and ready to restart the journey
But the sunshine was hard in the last moment. Shining and spreading your beauty.
Wide places, brown, red and yellow evidencing my sadness
The edges stayed behind showing that massive line, beaches and rivers
And finally the deep dark blue beyond
I wasn’t expecting to be fragmented
My pieces fallen on the ground, my peace disappeared in seconds
Signatures and signs were everywhere
Brands, symbols and impressions in my face
Indications, dots and types printed in my soul
I couldn’t hide the cross on my head
I tried to run away
But it was late
In my heart a deep scar’s mark
In my hours the Margot’s eyes
The sound of her voice
The memories of her hands did a shelter in my curves
And registered words and dreams
in my naked chest
My days marked forever
Cause this mark will everyday to remind me
My single destiny.

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Ressoa longe um triste piado do pato
que desliza sozinho pelo lago verde musgo.
Lanço sobre ele angústias humanas,
invento historias sobre sua solidão.
Desenho com meu olhar contaminado o sofrimento do pato.
Agonizante rejeição ou a tortura da fome.
Padecer necessidades sabe ele muito bem.
Mas uma ave não sabe sofrer além de suas penas.
Sofre o que sofre, apenas o momento lhe pesa.
Sem passado para aprisionar sua alma
nem futuro para paralisar seu coração.
Aos humanos foi destinado padecer por coisas inexistentes.
Sentir o vento, ver brilhos de lua no lago,
amar as árvores e odiar o calor,
Como quem molda o tempo e os eventos
com mãos de oleiro e as dramatiza para suportar as horas.
O dia em que enxergar o mundo com olhos sãos,
e finalmente ver a brutal simplicidade da existência das coisas,
Então cessará dentro de mim a poesia e serei livre.
Deixarei este corpo, verbo forjado em carne perecível,
E caminharei descalço e silencioso
Como fazem os anjos.

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Pity

Não, não sintam pena de mim. Não me enviem palavras de conforto. Eu careço da rudeza da vida e do corte seco da faca que divide os dias e as horas.
Que não brote sequer uma lágrima por mim. Prefiro o riso sarcástico daqueles que enxergam o palhaço que fracassa, dá cambalhotas e cai novamente, mas já perdeu o medo de ser patético.
Me odeiem por ser tão rigoroso em revelar minha condição. Me rejeitem por não compreender o jogo e dele não fazer parte. Me desprezem por ser teimoso o suficiente para não seguir a ordem que as coisas naturalmente nos impõem, mas lhes peço, não sintam pena de mim.
Se por mim se apaixonam, sofro porque certamente oferecerei cômodos vazios. Se me apreciam, lamento por tamanho engano. Se me desejam, me desculpo pois já não tenho um corpo. Já não me pertenço. Sou apenas pensamento e memória. Mas se me enxergam como um semelhante, companheiro e frágil, ofereço minha mão e sorrio satisfeito pelo raro momento de comunhão.
Por isso, odeiem ou me venerem, desprezem ou me aguardem no portão, qualquer um desses gestos me fará grato. Mas não sintam pena de mim. Eu já me lancei na vida e já celebrei bodas com a dor. Sua piedade e compaixão já não podem me trazer consolo.
Concedam-me liberdade para gritar toda vez que a realidade finca suas garras em minhas feridas.
Permitam-me pintar meus dias cinzas. Deixem-me passar com os corpos que carrego, pois não tive onde enterrá-los.
Mas não sintam pena de mim.
Se me perco, lancem preces.
Se me rendo, desconjurem meu nome e maldigam a preguiça de me reerguer.
Se ferido ou exausto, estendam a mão e cuidem de mim.
Mas não me olhem assim com essa complacência. Compaixão anestésica. Eu imploro, não tenham pena de mim.
Estou seguro com minhas dúvidas. Delas faço brisa e ventania. Com elas sigo incerto pelas trilhas ainda desconhecidas. Quando dou nome aos meus tropeços e lhes concedo imagens, não faço por medo ou por carecer de auxílio. Não venham em meu socorro. Eu já fui salvo pelas tempestades que atravessei e pelos desertos dos quais aceitei fazer morada.
Já me lancei inteiro na vida e vem chegando meu destino. Quero o som do furacão beijando meus ouvidos. E a tormenta pesando seu corpo denso sobre mim.
Até compreender finalmente do que é feita a minha carne e de que lugar partiu minha alma.
Estou resoluto. Carrego tristeza suficiente para garantir minha serenidade e alegria rara para os dias comuns.
Por isso me abracem e me deixem partir.
Mas lhes imploro, em nome de todos os resistentes solitários que se lançaram pelo caminho, não tenham pena de mim!

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Pregnant

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Enquanto espero o dia, a semana e a vida passar
Eis que um raio de luz atravessa as folhas úmidas daquela árvore
que se desmancha na suave manhã de domingo
Estou dormindo com olhos arregalados e corpo dolorido

Enquanto espero o emprego, o carro e o feriado
Uma criança brinca no jardim de sua infância
Inventa praias e reinos coloridos
Sou ser ansioso em busca de brechas e novas perturbações

Enquanto espero a viagem, o casamento e o filho
Uma brisa balança os cachos loiros daquela garota
que faz seu lanche no gramado verde ocre
Estou sentado na calçada dura da minha realidade

Espero pelo entardecer e esqueço-me do sol que se estende na alvorada
Da lua ligeira que se esvaneceu na aurora
Perco o recorte das sombras que valsam na calçada irregular
O brilho sobre as águas do rio cintilam em rostos alheios ao meu

Vou caminhando nessa dormência de esperar
O intervalo, a chuva e o abraço do retorno
Faltam-me soluções para a casa, pros séculos e pras cidades
E não ouço mais a canção nem o silencio que se faz ao redor da solidão

Enquanto espero por você…
Anseio por você…
Sombra de névoa que está diante de mim
Mas que de tanto esperar, não há mais como enxergá-la

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Por vezes sou atormentado por sete demônios,

mas não dou a eles nomes nem créditos.

Esqueço seus rostos que aparecem dentre as trevas do homem que sou.

Sigo a trilha como se suas vozes não fossem reais, nem possuíssem garras cortantes e olhos sedentos.

Não tenho por eles apreço nem temor.

Sei, no íntimo das coisas, que sou pior que eles…meu maior e mais perigoso inimigo.

Lutar contra minha ânsia de existir, meu apego à essa felicidade em fuga é batalha quase perdida.

Sou resistente como pedra e desejoso tal fogo consumidor…

Como navalha na carne vou fatiando meu corpo entre o não e o sim.

Entre um e outro sonho, desfaço-me pelo caminho até não encontrar fôlego.

Eis que renovado por mais um amanhecer terreno, renasço …demoro a definhar-me.

Sobrevivo a cativeiros e grades.

Por isso vencer-me é mais árduo e improvável que carregar às costas monstros demoníacos…

Temo essa sobrevivência prolongada…refúgio que as coisas cintilantes desse mundo me oferecem.

Assim estendo por séculos a punhalada fatal que daria fim a essa tormenta.

Se tão somente, por sofrimento terrível ou dor irreparável, eu tirasse forças para arrastar ladeira acima esse corpo frio e dele me livrar, estaria livre…de mim, dos demônios e dessa eterna gana de perseguir becos sem saídas.

Para que, enfim…meus olhos cansados pudessem convictos,
testemunhar o fim dos dias,
epílogo necessário para suscitar a frágil esperança de um recomeço qualquer.

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Amo-te nesses momentos de completude e encanto

Nesses encontros fortuitos, instantes, vagas casualidades

Nas horas rápidas e conversas sem pausas, amo-te em silêncio

Amo-te como quem renuncia a existência, como quem prende o fôlego diante do abismo

Amo-te nos cantos sombrios, iluminados pelas luzes bruxuleantes de velas e canções

Assim te amo, a despeito do céu e do infinito,

vou seguindo nessas trilhas escuras sem estrelas

Largando pegadas de lama no carpete de mais outro hall de entrada

Amo-te como quem ingere um veneno em pequenas doses para oferecer-te hálito doce

Por isso recebo teu sorriso e não retribuo, por amar-te e desejar perder-te no exato momento em que te amo

Por ser distinto, estranho e irreconhecível este amor dou-lhe apenas meu olhar

Armadilha consumada em chamas

Pois que amar-te assim é câncer a ser arrancado por minhas mãos endurecidas, minhas esperas por redenção

Amar-te nas bordas desses instantes para sofrer eternidades

E de tão cansado de amar-te, sigo desfigurando teu rosto, anulo teu sorriso

Seco as últimas gotas amargas em meus lábios antes de partir

Nesta noite vazia sem resistências permito cravar sua última imagem em meu peito,

para amanhã esquecer-te indiferente

Desatinado por esse amor bebo esse fel, na firme esperança de que cessará de tempos em tempos

Assim como é breve o abraço que nos une

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Por mim, e por vós, e por mais aquilo
que está onde as outras coisas nunca estão,
deixo o mar bravo e o céu tranqüilo:
quero solidão.

Meu caminho é sem marcos nem paisagens.
E como o conheces? – me perguntarão.
– Por não ter palavras, por não ter imagens.
Nenhum inimigo e nenhum irmão.

Que procuras? – Tudo. Que desejas? – Nada.
Viajo sozinha com o meu coração.
Não ando perdida, mas desencontrada.
Levo o meu rumo na minha mão.

A memória voou da minha fronte.
Voou meu amor, minha imaginação…
Talvez eu morra antes do horizonte.
Memória, amor e o resto onde estarão?

Deixo aqui meu corpo, entre o sol e a terra.
(Beijo-te, corpo meu, todo desilusão!
Estandarte triste de uma estranha guerra…)

Quero solidão.

Poesia obra-prima, por sua beleza e por ser a expressão perfeita de alguém que está em busca do mar, da jornada e de si mesmo. Tomo pra mim este estandarte, pois também reconheço em minha trajetória essa estranha guerra. Assim como a poetisa, caminho livre e desencontrado, pois quero solidão.

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