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Arquivo da categoria ‘Poesia’

Por mim, e por vós, e por mais aquilo que está onde as outras coisas nunca estão, deixo o mar bravo e o céu tranqüilo: quero solidão. Meu caminho é sem marcos nem paisagens. E como o conheces? – me perguntarão. – Por não ter palavras, por não ter imagens. Nenhum inimigo e nenhum irmão. [...]

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A mim que desde a infância venho vindo como se o meu destino fosse o exato destino de uma estrela apelam incríveis coisas: pintar as unhas, descobrir a nuca, piscar os olhos, beber. Tomo o nome de Deus num vão. Descobri que a seu tempo vão me chorar e esquecer. Vinte anos mais vinte é [...]

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Quando o crepúsculo beija o mundo cobrindo nossos rostos brutos com um laranja infinito, pulsam a dor e esta sede das coisas sem contorno que insistem em latejar nas tardinhas ociosas. Nelas meu corpo todo luminoso não pranteia a ausência de templos, majestosos palácios para soberanos ou míticas arcas do concerto. Os monumentos duros tão-somente [...]

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Amazing Grace

Deus abandona-me quando recusa derramar imagens de assombro poético Suas sutilezas tornam-se imperceptíveis para mim Escapam-me as migalhas de deslumbramento e terror por entre os dedos trêmulos. Acometido dessa miopia sou assaltado com uma segunda escuridão. Os dias cinzas não me fazem melancólico nem revelam obscuridades O céu azul é tão somente um manto tranquilo [...]

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Draculia

Por que essa tempestade a se cumprir me causa tanta euforia? Esta hesitação dos céus, carregada de densas nuvens negras Completam o quadro, extraem essas vagas esperanças… Que seja assim! Deixo-me caminhando ao vento, com a tranqüilidade dos que pertencem aos dias terríveis Solto na rouca voz injúrias e vagas promessas de redenção Sou como [...]

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Poeira Cósmica

Se forem todos os teus caminhos maus, áridos e monótonos Não há porém razão para crer que serão sempre assim ou que apenas isso é teu caminho Pois os que caminham sempre encontram novas estradas e riachos e árvores fortificadas, recebem brisa e tempestades que refrescam olhos cansados. Ora, se nestas terras nada te indique [...]

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Dormência Súbita

O trivial roubou meu espírito sem ritual ou gentileza Levou minhas frágeis esperanças O trivial comeu as bordas das minhas vestes coloridas Deixando uniformes para os dias cinzentos   Abafou as canções que acariciavam meus ouvidos Rompeu-se em ruídos de progresso O trivial me conformou em cidadão Achatou-me nas estatísticas sociáveis   O trivial aproximou-me [...]

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Someday

Someday tudo será perfeito As árvores estarão em todos os lugares Música alegre em todos os bares Gente louca nas ruas a dançar   Someday e será de repente Antes que se quebre a corrente Que se parta a taça de vinho Onde os homens depositam suas esperanças   Someday irei te abraçar novamente Como [...]

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Queda por um momento

Onde a gente cai, quando a gente cai do mundo? Foi tão intensa essa partícula perdida em meio a uma apresentação entediante Que me fez uma pausa Silêncio onde posso avistar as coisas O velho se machucou de novo Minha mãe mostra seu penteado novo enquanto está nervosa com suas perdas de controle, de realização, [...]

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Azulejos

Os azulejos estão partindo Não suportaram a pressão silenciosa e constante Do calor comum, pelo frio acolhedor e injusto que se apressam em testar nossas resistências Parte da parede se mostrou sem cerimônia alguma Sem cor Sem desenhos ou texturas Simples e verdadeira, sua essência estuprada Que desagrada olhos que necessitam de beleza estética e [...]

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